• Danilo Fialho

A importância da assistência domiciliar no cuidado de pessoas com perda da independência/autonomia.




Quando comecei a trabalhar oferecendo tratamentos e cuidados odontológicos em domicílio, muitos me perguntavam porque alguém precisaria de um dentista em casa. Existem doenças que geram limitações que levam à perda ou dificuldade de mobilidade, impossibilitando uma simples saída de casa e criando uma dependência temporária ou definitiva dos indivíduos que passam a necessitar de uma assistência domiciliar não por uma questão de comodidade, mas de necessidade.


Existem motivos mais do que suficientes para realizar atendimentos domiciliares.


Síndromes demenciais, escleroses, AVC ou Doença de Parkinson são exemplos de doenças que levam o paciente a desenvolver essa condição. Dentro dessa situação o paciente é acompanhado não só por uma equipe médica, mas por uma rede multidisciplinar (fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, dentre outros).


As ações de saúde são realizadas no domicílio e se iniciam com o diagnóstico da realidade em que o paciente está inserido, com um plano de trabalho completo que visa a promoção, manutenção e/ou restauração da saúde, além de envolver a prática de políticas econômicas, sociais e de saúde com programas de saúde e a execução das atividades assistenciais, preventivas e educativas.


Um chamado para uma nova forma de trabalhar!


Nesse sentido, toda a equipe multidisciplinar procura trabalhar com o objetivo único de oferecer todo suporte para sua recuperação ou cuidado continuado, visando trabalhar em conjunto com a família e o cuidador. Conheci esse ambiente quando tive a oportunidade de atender uma paciente acamada. Sua filha procurava por um dentista que pudesse ir até a casa dela e resolver o problema de dor de dente da sua mãe. Ela já havia ido a vários dentistas e nenhum deles se disponibilizou para realizar o atendimento.


Eu me sensibilizei com a filha que estava desesperada e, mesmo sem o preparo técnico e estrutural adequado, resolvi ir até a paciente. Juntei em uma caixa organizadora alguns materiais e fui até ela. Ela sofria de uma doença degenerativa que afetava sua condição motora e sair de casa era sempre muito difícil e arriscado (riscos como o de cair, por exemplo). Ao final do atendimento, pude resolver o problema da dor, que era causada por abcesso dentário e assim devolver um pouco de conforto para essa paciente.


Um trabalho que faz sentido para mim!


Agora, imagina você ter uma dor insuportável e não saber como resolvê-la? Aquilo me despertou para o problema! Quantas pessoas poderiam estar nessa situação? Me apaixonei por essa causa e desde então procuro me dedicar a entender, atender e cuidar dessas pessoas. Nossos pacientes nos procuram por motivos que fogem um pouco da rotina de procedimentos de um consultório odontológico convencional. Nossa maior preocupação não é com a estética, mas com o controle de doenças bucais que podem se tornar focos de infecção, com o controle da dor e com a reabilitação funcional com finalidade de devolver a mastigação do paciente. Assim, conseguimos diminuir os riscos de internação hospitalar, controlar sua saúde, melhorar a resposta terapêutica da equipe multidisciplinar e dar conforto e qualidade de vida.


Já têm alguns anos que me dedico a atender essas pessoas e dar suporte aos seus familiares que olham para o meu trabalho como essencial e posso dizer que é um trabalho muito gratificante e especial.


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