• Danilo Fialho

Já imaginou ter dor e não poder falar?

Você já imaginou sentir uma dor e não poder falar ou fazer nada para resolver isso?

Um dos grandes desafios que encontro na assistência domiciliar é o número de problemas odontológicos encontrados em idosos que estão institucionalizados ou em cuidado do tipo home care.

Frequentemente encontrarmos pacientes com condições bucais em situações muito precárias, com dor, mal hálito, sangramento gengival e muitos outros problemas que geralmente estão ligados a deficiência na higiene bucal diária.


A gravidade dessa situação aumenta quando temos um idoso dependente para realização das atividades do dia-a-dia e autocuidado e que não consegue comunicar esses problemas bucais.


Um dos casos mais emblemáticos ligados a esse fato foi de uma paciente idosa acometida de Alzheimer e que era afásica, ou seja, não conseguia se comunicar e relatar que estava com dor de dente.


A idosa sempre foi muito tranquila e de repente os cuidadores começaram a perceber que ela estava agitada, agressiva, não permitia tocar na região próximo a boca, tão pouco realizar a higiene bucal. Fui chamado para atendê-la e com muito cuidado e aos poucos fui criando uma aproximação, até que consegui avaliar a situação odontológica.


Ela possuía uma gengivite, inflamação da gengiva, bem avançada localizada na região superior do lado esquerdo. Foi realizada uma anestesia para verificar mais de perto o que estava havendo e o que encontrei foi surpreendente: Dentro dessa inflamação existia uma bolsa periodontal que foi criada pelo acúmulo de resíduo entre os dentes. Quando não é realizada uma correta higiene bucal, toda aquela “sujeira” de biofilme dentário e resíduos alimentar cria uma inflamação na gengiva e com o tempo vai formando um espaço entre o dente e a gengiva que é chamado de bolsa periodontal. Na bolsa periodontal encontrei de tudo um pouco, mas o pior dos piores foi ter removido um caroço de melancia de dentro desse espaço.


Caroço de Melancia

Não consigo imaginar a dor que essa paciente estava sentindo e como não conseguia ter a percepção cognitiva e também comunicar o problema, a forma que ela encontrou de se proteger foi mudando seu estado comportamental de tranquila para agressiva ou de cooperativa para não cooperativa.


Se você tem um familiar ou paciente que possui uma alteração cognitiva, esteja atento a essas alterações de comportamento que podem sinalizar problemas como dor, infecção ou incômodos.

Nem sempre as alterações emocionais e comportamentais estão ligadas a uma piora do quadro da doença de base, nesse caso Alzheimer. Foi o que no início todos achavam e o que levou a demora em acionar a visita do dentista


Se preocupe em oferecer a esse paciente um cuidado periódico, no mínimo trimestral, para uma correta avaliação e diagnóstico de possíveis problemas bucais. Podemos identificar esses problemas de forma mais precoce evitando o risco do paciente sentir dor e desenvolver infecções que podem influenciar de forma negativa no seu estado geral.


É importante desenvolver a consciência de que os idosos exigem um cuidado diferenciado.

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