La Dama y la Muerte: O vídeo que me fez refletir o limite do cuidado


O vídeo abaixo me fez refletir sobre até onde vai o limite do cuidado, do dever e do amor a vida. Será que realmente vale a pena lutar até o fim pela vida? Existe um limite?


Cada um de nós temos nossas percepções, vontades, crenças e próprias convicções sobre o que pensamos da vida e de como devemos conduzi-la. Será que o que o outro pensa a respeito da finitude da vida ou sobre a morte é o mesmo que eu penso? Sendo bem sincero tenho mais perguntas do que respostas e esse vídeo cria mais questionamentos a respeito do tema que é muito polêmico.


Temos a certeza de que vivemos uma vida e temos um tempo: o ciclo da vida. Uma hora esse tempo se encerrará sendo que para alguns será mais cedo e para outros não.

Os avanços da medicina têm interferido nesse ciclo de forma incisiva. Eu trabalho especialmente com idosos e vejo alguns em uma situação muito frágil, com perda da sua capacidade de pensar, interagir, se mover, socializar, se alimentar e de tomar suas próprias decisões. Me pergunto frequentemente se essa pessoa quando mais jovem imaginou que estaria nessa situação ou se teve a opção por escolher. Será que era assim mesmo que ele imaginava estar nos seus últimos anos de vida?


Ninguém espera ou sonha em adquirir uma doença terminal e na maioria das vezes não faz a escolha consciente por lutar contra uma condição degenerativa intratável custe o que custar. Será que é isso mesmo que ele queria? E tudo que perdeu ao longo desses anos? E a sua crença sobre algo melhor que está por vir? E a saudade daqueles que já partiram? E até mesmo a possibilidade do encontro com todos esses?


Alguns de nós acreditamos que possa haver um outro plano, uma outra vida e isso pode ser muito relevante sobre o que pensamos quando o assunto é a morte.


O fato é que não refletimos sobre essas questões. O que meu pai, minha mãe, minha esposa e meus filhos pensam a respeito disso? E eles sabem o que eu penso? Tenho bem claro quais são as minhas vontades a respeito dessas questões? Se acontecer comigo, como quero que conduzam a minha vida, já que posso ter perdido minha autonomia e outros tomaram decisões por mim?

Temos que dialogar mais sobre essas questões, não podemos fugir de conversar a respeito do fim da vida e da morte ou correremos o risco de viver um fim que não queremos.


Sou dentista e trabalho atendendo pessoas em suas casas. São na grande maioria doentes neurológicos que perderam sua autonomia e com eles uma família que luta para oferecer o melhor para o paciente. Uma família que sofre, uma família tão doente quanto o paciente. Será que é assim que deveria ser? Quem toma essa decisão? Como saber?


Tenho 40 anos e não sei ainda o que quero para meu fim de vida, acho que sou muito novo para refletir sobre essas questões. Será? Até quando adiar?


Nunca estive nessa situação e se hoje fosse meu pai, sinceramente não sei o que faria. Talvez seja mais fácil não tomar decisões difíceis e lutar até o fim prologando ao máximo a sua vida, assim eu fico com minha consciência tranquila, não é?


Isso é o que é cobrado pela sociedade, mas será mesmo que é assim que têm que ser? Todos sendo tratados da mesma forma, as mesmas decisões e o mesmo fim de vida. Complexo demais e algo que gostaria muito de ver sociedade debatendo mais.



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